22 de abril de 2009

25 DE ABRIL. (A POESIA ESTÁ NA RUA)


Este cartaz acompanhou-me durante muitos anos, até que o Sol lhe levou as cores deixando apenas a memória da sua festa. É um cartaz que sempre me tocou particularmente, talvez pela sua força, talvez pela alegria da rua desses dias a que sempre o associei. Revi-o numa oportuna edição comemorativa dos 30 Anos do 25 de Abril publicada pelo Diário de Notícias - "25 de Abril 30 Anos 100 Cartazes". Faz parte do que eu penso ser um díptico de Vieira da Silva "A POESIA ESTÁ NA RUA" conjuntamente com este.



Nestes dois cartazes os elementos são comuns e permitem ler um 25 de Abril fundamentalmente urbano, onde a cidade surge como espaço de liberdade colectiva (talvez reivindicativa!), representando a democracia como um movimento de expressão popular e onde se espera que haja lugar para a imaginação, a criatividade e a liberdade que a poesia convoca.
Nesta data, mais uma vez recordo estas imagens e os momentos de exaltação que lhes ficaram associados, agora que são mais audíveis as vozes críticas e se inauguram Praças Salazar. São as vozes da memória curta, ou da ausência dela, e do direito adquirido. O 25 de Abril, no essencial, cumpriu-se. O sonho, esse, está sempre por cumprir pois é um caminho que se percorre e não um lugar onde se chega e se está. Só quem espera o paraíso, já ali, das soluções formatadas pode vender em saldo o árduo e enriquecedor percurso da Democracia e da Liberdade.



21 de abril de 2009

The S. Pellegrino World's 50 Best 2009


EL BULLI


E o primeiro prémio vai para...Ferran Adria e "El Bulli" ganham pela quinta vez (quarta consecutiva) o Best Restaurant in the World Award . Em segundo lugar ficou o Restaurante Inglês "The Fat Duck " o que já acontece pela 3ª vez. Começa a ficar um pouco monótono...

Vamos aos resultados.

S. Pellegrino World's 50 Best 2009 winners

Position Restaurant Country
1 El Bulli Spain
2 The Fat Duck UK
3 Noma Denmark
4 Mugaritz Spain
5 El Celler de Can Roca Spain
6 Per Se USA
7 Bras France
8 Arzak Spain
9 Pierre Gagnaire France
10 Alinea USA
11 L'Astrance France
12 The French Laundry USA
13 Osteria La Francescana Italy
14 St John UK
15 Le Benardin USA
16 Hotel de Ville Switzerland
17 Tetsuya's Australia
18 L'Atelier de Joel Robuchon France
19 Jean Georges USA
20 Les Creations de NARISAWA Japan
21 Chez Dominique Finland
22 Cracco Peck Italy
23 Die Schwarzwaldstube Germany
24 D.O.M. Brazil
25 Vendome Germany
26 Hof van Cleve Belgium
27 Masa USA
28 Gambero Rosso Italy
29 Oud Sluis Netherlands
30 Steirereck Austria
31 Momofuku Ssam Bar USA
32 Oaxen Skargardskrog Sweden
33 Martin Berasategul Spain
34 Nobu UK
35 Mirazur France
36 Hakassan UK
37 Le Quartier Francais South Africa
38 La Colombe South Africa
39 Etxebarri Spain
40 Le Chateaubriand France
41 Daniel USA
42 Combal Zero Italy
43 Le Louis XV France
44 Tantris Germany
45 Iggy's Singapore
46 Quay Australia
47 Les Ambassadeurs France
48 Dal Pescatore Italy
49 Le Calandre Italy
50 Mathias Dahlgren Sweden


Para se perceber melhor os desenvolvimentos que vão surgindo nesta área e também a solidez de alguns posições, como é o caso da França, aqui fica a tabela dos 100 melhores por país. A nossa vizinha Espanha já tem sete restaurantes nos 100 melhores. Onde estás Portugal que não te vejo!?

País Nº de restaurantes
France 15
USA 13
UK 10
Spain 7
Italy 7
Germany 7
South Africa 5
China 5
Japan 3
Australia 3
Sweden 2
Singapore 2
Russia 2
Netherlands 2
India 2
Denmark 2
Brazil 2
Belgium 2
Austria 2
Dubai 1
Switzerland 1
Mexico 1
Greece 1
Finland 1
Czech Republic 1
Bali 1


The S. Pellegrino World's 50 Best 2009

16 de abril de 2009

Cocotte de Raia com molho de marisco

Normalmente estou atento às receitas publicadas nos órgãos de comunicação social que leio. Facilmente me apercebo se as receitas valem a pena, muitas vezes com um toque pessoal que as torna receitas cá de casa. Esta saiu há pouco tempo num semanário e vale a pena porque, para além de saborosa e fácil de confeccionar, é barata - boa para a crise que atravessamos. Vamos à versão cá de casa!



1 Raia de 2 Kg
3 Cenouras
3 Courgettes
5 Batatas
500ml de Leite
4 Dentes de alho
150g de manteiga
1dl de azeite
1 Limão
250ml de caldo de marisco
1 Colher de sopa de farinha
Salsa
Flor de sal
Pimenta





Compre uma raia de 2Kg, mande amanhar e cortar em postas médias.
Ponha leite e ferver com os dentes alho e escalde a raia. Deixe arrefecer e retire-lhe a pele. Reserve.
Corte as courgettes em rodelas de 5mm, corte as
cenouras ao meio e abra as metades em quatro, descasque as batatas e corte às rodelas de 5mm. Escalde as cenouras e as batas em água a ferver durante 3 minutos. Escorra e reserve.
No sauté, com metade da manteiga e o azeite, salteie os legumes até alourarem. Tempere com flor de sal e pimenta moída. Coloque no fundo da cocotte (pequena caçarola). Acrescente o resto da manteiga ao sauté e aloure a raia até que ganhe um pouco de cor. Refresque com o sumo de limão. Coloque a raia na cocotte por cima dos legumes, tape e reserve. Aproveite o sauté e faça um bechamel muito leve com o caldo de marisco acrescentando um pouco mais de manteiga se necessário (quando utilizar camarão nas suas confecções faça um caldo com as cabeças e guarde no congelador). Pode acrescentar um pouco mais de caldo para que não engrosse demais. Rectifique os temperos.

Regue a raia com o molho, tape e leve a cocotte ao lume só para levantar fervura. Distribua um pouco de salsa picada por cima e sirva de imediato.

Para a próxima vez que fizer esta receita vou substituir as batatas por boletos salteados. Fica um pouco mais caro mas tenho o palpite de que ao prato subirá vários degraus gastronómicos.
Bom apetite!

10 de abril de 2009

Páscoa

"Hip, hip, hurra!", Peter Severin Krøyer, 1888

A páscoa recorda-me os rituais do domingo de ramos e da visita pascal. Íamos em grupo ao "cavalo selvagem" com seiras uma palavra que já não se usa colher alecrim e rosmaninho. Com o alecrim fazíamos a cruz que levávamos à missa desse domingo para ser benzida e todos se esmeravam para levar a cruz mais bonita ou na falta de jeito a maior. No domingo de páscoa espalhávamos o rosmaninho na frente da porta de casa o que no bairro significava colorir o passeio junto a cada portão. Os mais empenhados acrescentavam flores e esse mar de perfumes espalhava-se por todo o bairro como se tivesse por objectivo solicitar o sorriso que me parecia ver mais iluminado em todas as faces e que eu inocentemente não associava à ressurreição de cristo mas à chegada do sol e da primavera. Nesses domingos essa actividade adicional que nos ligava mais à natureza que à igreja era uma pequena competição que nos enchia de alegria e acrescentava significado àqueles dois fins-de-semana. A espera da visita pascal fazia-se ao portão pelos mais novos que no momento oportuno alertavam os pais que aguardavam dentro de casa para a chegada eminente do padre e sua comitiva. A visita era rápida. A família perfilava-se de joelhos para cumprir o ritual de beijar o ícone e depois de breves palavras de circunstância era discretamente feita a entrega da dádiva normalmente um envelope com dinheiro e a comitiva lá partia para outra visita.

Era no domingo de pascoa que em anos de maior fartura a minha mãe assava cabrito no forno. Limpava-o muito bem e reservava os miúdos para o arroz. Naquele tempo não havia tantas preocupações com as gorduras. Lembro-me bem de ela fazer uma massa de banha de porco, alho, sal e colorau ao que juntava umas folhas de louro com que barrava o cabrito que assim ficava a ganhar gostos e aromas até ao dia seguinte. No dia era só ir ao forno com vinho branco, um pouco de azeite e pronto. Ela tinha todo o cuidado para não o deixar secar e se necessário juntava um pouco mais de vinho ao mesmo tempo que ia virando os vários pedaços até que ficasse louro brilhante. A acompanhar assava umas batatas que juntava na mesma assadeira e que servia juntamente com o ressumado arroz de miúdos em cuja confecção não se regateava o azeite.

Da páscoa de antigamente ficou-me o cabrito. A ele voltaremos...

Boa páscoa bom cabrito.

2 de abril de 2009

Empadão de Perdiz



(Dá para duas formas redondas de 24cm)

6 Perdizes
7,5dl de Vinho do Porto seco
2,5dl de Vinho Branco seco
4 Chalotas
600g de Cogumelos laminados (boletos)
2dl de Azeite
1 Alho Francês
50g de aparas de presunto
3 Folhas de louro
3 Pés de Salsa
1 Colher de sopa de farinha
Sal e pimenta q.b.

2 Doses de massa quebrada

Para o recheio

48 Horas antes, limpar bem as Perdizes e esfregá-las com sal e pimenta moída. Pô-las a marinar nos vinhos de forma a que fiquem todas mergulhadas.

Escorrer bem as Perdizes e reservar a marinada.
Num tacho grande picar as chalotas e juntar ao azeite em lume médio. Juntar as perdizes escorridas e alourá-las no azeite regulando o lume para que as chalotas não queimem. Quando estiverem louras juntar a marinada, as aparas de presunto, os pés de salsa e o louro. Deixar cozer em lume brando e rectificar temperos. Quando as perdizes estiverem tenras retirar para um recipiente à parte e desossar reservando toda a carne limpa.
Juntar os cogumelos e o alho francês cortado aos pedaços ao molho restante. Deixar cozer em lume brando até apurar. Rectificar temperos, retirar as folhas de louro e engrossar o molho com a farinha após o que deve cozer 10 minutos em lume brando. Juntar a carne de Perdiz e envolver. Está pronto.

Massa Quebrada (dose)

300g de Farinha
150g de Manteiga derretida
3 Colheres de chá de açúcar
1 Ovo inteiro
1 Colher de café (mal cheia) de fermento royal.
Água morna
Sal q.b.

Peneire (misture) a farinha com o açúcar sobre a banca da cozinha. Faça um monte e no meio deste uma cova. Dentro dela deite o ovo inteiro e uma pitada de sal. Mexa ligeiramente em círculo (meta a mão). Junte a margarina levemente derretida e trabalhe a massa juntando um pouco de água morna para ajudar a ligar tudo. Faça uma bola, tape com um pano e deixe repousar durante 1 hora no frigorífico.
Estenda a massa com o rolo, aplique à tarteira e pique com um garfo.