17 de janeiro de 2017

Tarte de Camarão

Esta receita faz parte das Receitas Escolhidas de Maria de Lourdes Modesto. É muito saborosa e não me parece que melhore com variações. Utilizei uma embalagem de massa quebrada e adaptei as quantidades a uma tarte grande; no fundamental respeitei a versão original.


Para o recheio

500g de camarão ou gamba pequena
1 colher de sopa generosa de manteiga
1 colher de sopa bem cheia de farinha
3 dl de leite
3 gemas
3 colheres de sopa de queijo parmesão ralado
sal, pimenta, mostarda, sumo de limão
2 claras de ovo

Coloque a massa quebrada numa tarteira de fundo solto. Pique o fundo com um garfo e leve a cozer em forno quente (200°C) por 15 minutos. Retire do forno e reserve deixando arrefecer.
Coza os camarões e descasque-os deixando alguns inteiros para decoração.
Sobre lume brando derreta a manteiga e polvilhe com a farinha para fazer um bechamel. Quando a farinha começar a cozer junte 2 dl de leite frio e mexa bem para que tudo se dissolva no leite. Deixe começar a ferver e junte o restante leite até ter a consistência adequada. Deve ficar um creme macio que vai fervilhar por 10 minutos.
Retire do lume e junte os camarões, as gemas e o queijo ralado. Tempere com sal, pimenta, mostarda e sumo de limão. Bata as claras em castelo bem firme e adicione-a suavemente ao creme. Está pronto!
Deite o creme na forma de massa quebrada e leve a forno quente (± 200°C) durante 10 minutos ou até ficar cozido e dourado.

Enfeite a gosto com os camarões, salsa picada, ovo cozido...

4 de dezembro de 2016

Codornizes assadas com vinho do porto e laranja




Sempre tive alguma resistência em cozinhar codornizes pois, não sendo de caça, e essas não se arranjam, parece-me que têm algum deficit de sabor. As que por aí se compram também não são todas iguais. O melhor é escolher umas codornizes bem carnudas e de tamanho razoável e seguir esta receita que é muito saborosa e reconcilia-nos com este galináceo.

6 codornizes limpas
1 cebola
3 dentes de alho
1 laranja
1dl de vinho do porto branco
3dl de vinho branco de boa qualidade
4 fatias de bacon
4 grãos de pimenta da Jamaica
6 grãos de pimenta preta
1 piripiri
0,5dl de azeite
sal, colorau, tomilho seco e alecrim seco q.b.

Faça uma marinada com os vinhos, as pimentas, o piripiri  o tomilho e o alecrim. Esfregue as codornizes com sal e coloque a marinar 4 horas ou (melhor) de um dia para o outro. Após estarem marinadas escorra-as e reserve.

Entretanto, na assadeira que irá ao forno, faça um fundo de cebola cortada em meias-luas finas e alho laminado. Lave a laranja e corte-a em 6 gomos sem tirar a casca. Coloque esses gomos de laranja dentro das codornizes e coloque-as na assadeira sobre a cebola e o alho. Polvilhe com um pouco de colorau e regue com o azeite e um terço da marinada. Coloque as fatias de bacon por cima das codornizes e leve ao forno preaquecido a 150°C.

O bacon irá tostar e libertar a sua gordura e aromas. Acabará mergulhado no molho que se vai formando. O assado deve ser lento, as perdizes devem ser viradas, e à medida que vai secando vai-se acrescentando mais marinada até estar apurado e pronto. Mais de uma hora de forno.

Para finalizar, os gomos de laranja devem ser calcados no molho para que libertem o seu sumo e depois dispensados juntamente com as fatias de bacon.

Sirva, por exemplo, com puré de bata e grelos cozidos e temperados com um fio de azeite. Regue com o molho que é óptimo!


23 de novembro de 2016

Estrelas Michelin

Este ano confirmou-se a grande evolução da gastronomia portuguesa: Mais 9 estrelas Michelin.

Lei-a a notícia aqui.

Com 2 estrelas

  • Belcanto / José Avillez, Lisboa
  • Il Gallo d’Oro / Benoit Sinthon, Funchal (NOVO)
  • Ocean / Hans Neuner, Armação de Pera
  • The Yeatman / Ricardo Costa, Vila Nova de Gaia (NOVO)
  • Vila Joya / Dieter Koschina, Albufeira


Com 1 estrela
  • Alma / Henrique Sá Pessoa, Lisboa (NOVO)
  • Antiqvvm / Vitor Matos, Porto (NOVO)
  • Bon Bon / Rui Silvestre, Carvoeiro
  • Casa da Calçada / André Silva, Amarante
  • Casa de Chá da Boa Nova / Rui Paula, Leça da Palmeira (NOVO)
  • Eleven / Joachim Koerper, Lisboa
  • Feitoria / João Rodrigues, Lisboa
  • Fortaleza do Guincho / Miguel Rocha Vieira, Cascais
  • Henrique Leis / Henrique Leis, Almancil
  • LAB by Sergi Arola, Penha Longa (NOVO)
  • L’And Vineyards / Miguel Laffan, Montemor-o-Novo (RECUPERA)
  • Loco / Alexandre Silva, Lisboa (NOVO)
  • Pedro Lemos / Pedro Lemos, Porto
  • São Gabriel /Leonel Pereira, Almancil
  • William / Luís Pestana, Funchal (NOVO)
  • Willie’s / Willie Wurger, Vilamoura

20 de novembro de 2016

Creme de cogumelos com farinheira



6 a 8 doses

300g+100g cogumelos de Paris laminados
1 cebola picada
2 batatas pequenas
1 courgette
0,5dl azeite
1 caldo de galinha
1l de água
300 g leite magro
150ml natas
sal, pimenta moída, q.b.
1 farinheira

Numa panela faça um fundo com a cebola e o azeite e deixe refogar até a cebola cozer sem alourar. Junte as 300g de cogumelos, misture bem e deixe cozer com a panela tapada.
Quando os cogumelos estiverem macios junte as batatas cortadas ao bocados e a courgette descascada e cortada às rodelas. Acrescente o caldo de galinha e a água. Tempere com um pouco de sal e pimenta e deixe ferver até cozer os legumes.

Entretanto salteie os restantes cogumelos num fio de azeite com um pouco de sal e pimenta. Reserve.
Coza a farinheira em água, retire-lhe pele e esfarele-a com um garfo retirando os pedaços de gordura maiores. Reserve quente.

Depois dos legumes cozidos retire do lume e reduza a creme com a varinha mágica. Junte o leite e as natas e leve ao lume para aquecer muito bem sem deixar ferver. Corrija a maior ou menor leveza do creme com um pouco mais de leite, se necessário. Junte os cogumelos salteados e rectifique temperos.

Emprate, em prato aquecido, uma concha de creme de cogumelos com uma pequena porção de miolo de farinheira no centro do prato.



NOTA: Aproveite a casca da courgette cortada em juliana para saltear com alho, sal e pimenta. Dá um bom acompanhamento ou pode ser incorporada numa omeleta.

16 de outubro de 2016

Mexilhões à Marinheira


Esta é uma receita de origem francesa e por isso a sua elaboração assenta na manteiga e na chalota. Eu diria que, à portuguesa, a tradição leva-nos para o azeite e para a cebola. Faça como mais gostar.

2 Kg de mexilhão
3 chalotas
100g de manteiga
2,5 dl de vinho branco
Salsa, tomilho, louro, sal e pimenta

Passe os mexilhões por água e limpe-os das impurezas. Rejeite os que estiverem abertos.

Pique previamente as chalotas. Coloque um tacho com uma colher de sopa de manteiga sobre lume forte e acrescente rapidamente as chalotas picadas, os mexilhões limpos, a salsa, o louro e o tomilho. Regue com o vinho branco e tempere de sal e pimenta. Mantenha o lume forte e tape para que ferva e os mexilhões abram. Para que os mexilhões se mantenham suculentos não devem ferver mais que cinco minutos.

Retire os mexilhões para uma taça ou prato fundo e rejeite as cascas que estejam vazias.
Coe o molho que se formou e leve-o ao lume a ferver novamente. Então, retire-o do lume e acrescente e dissolva a restante manteiga. Regue os mexilhões com este molho e polvilhe com salsa picada. Sirva de imediato.


O procedimento aconselhado destina-se a um serviço que se quer requintado, eventualmente para uma situação com convivas especiais. Devo confessar que gosto do molho com os seus conteúdos - não me imagino a dispensar a saborosa cebola e o dente de alho que normalmente acrescento! Logo, para mim, nada de coar o molho. Deve, no entanto, ter-se algum cuidado para evitar as impurezas que possam ficar depositadas no fundo do tacho.

15 de outubro de 2016

Salame de Chocolate

Seguidor e admirador de Maria de Lourdes Modesto, recorro muitas vezes às suas receitas que, não raro, são o caminho mais rápido e simples para concretizar os nossos desejos de boas execuções tradicionais.

Aqui fica a de Salame de Chocolate.




125 g de manteiga
5 gemas
200 g de chocolate em pó
150 g de bolacha Maria ou digestiva
150 g de açúcar
aguardente.

Trabalhe a manteiga até obter um creme. Junte as gemas, uma a uma, o chocolate, as bolachas partidas em bocadinhos pequenos e o açúcar. Misture tudo muito bem, molde em forma de rolo e embrulhe em papel vegetal ou em folha de alumínio, humedecida com aguardente.

Aperte bem o rolo dentro do papel. Coloque no frigorífico durante algumas horas.

Se utilizou papel vegetal, retire-o antes de cortar o salame em rodelas. Se utilizou folha de alumínio, corte-o juntamente com o salame.

3 de outubro de 2016

Língua de vaca estufada

Por vezes os meus passeios matinais dão nisto! Os três caminhantes diários gostam destas coisas da gastronomia e não são raras as vezes que é esse o tema que nos ocupa durante a hora e tal que dura o passeio. Da ultima vez que a conversa desviou para comida inclinou-se para as miudezas: fígado, rim, coração, língua... Declarei logo a minha intenção de tirar as devidas consequências: Se encontrasse à venda, ía fazer! Não foi nesse dia mas foi no seguinte.

O menos bom de preparar uma língua de vaca é ter que a limpar, o que inclui pelá-la. É uma tarefa prévia que solicita alguma paciência mas, para quem é apreciador, vale a pena. 

Comece por raspar a língua com as costas da lâmina de uma faca. Depois, mergulhe-a em água a ferver e deixe cozer por 20 a 30 minutos ou mais, se a língua for muito grande. Depois de retirada da água quente e logo que a possa manipular, retire a pele - que fica branca - que deve sair quando puxada. Limpe também  alguma gordura ou cartilagem.

A receita de língua estufada corresponde a um estufado clássico, pelo que não apresenta nenhuma complexidade. Podemos seguir  a receita da Maria de Lourdes Modesto, que foi o que eu fiz, apenas substituindo o toucinho por bacon.



1 Língua de vaca
100g de bacon (toucinho gordo no original)
2 cebolas
6 pés de salsa
1 folha de louro
2 dl de caldo de carne
2 dl de vinho branco
sal e pimenta


Faça o estufado na panela de pressão pois será muito mais rápido. 

Coloque o bacon em fatias no fundo e disponha a língua por cima. Acrescente as cebolas às rodelas, as cenouras aos bocados, o ramo de salsa e a folha de louro. Tempere com sal e pimenta e cubra com os líquidos - caldo e vinho. Tape e leve a panela de pressão ao lume por 1 hora. Retire a panela do lume mas não a abra de imediato. Espere até que perca a pressão pois assim vai concluindo a cozedura.

A língua deve ficar macia. Retire a língua e corte-a, obliquamente, em fatias. Retire a folha de louro do molho, veja se é necessário rectificar os temperos e passe tudo com a varinha mágica. Cubra as fatias de língua com o molho grosso e sirva com puré ou esparguete.

Se quiser dar um aspecto diferente ao seu espaguete coza-o juntamente com a casca de duas courgettes descascadas com um descascador próprio para fazer os fios.

Bom apetite.

27 de setembro de 2016

Fomos às vindimas!

Este ano aproveitámos a Festa das Vindimas em Viseu. O destino foi a Quinta Pedra Cancela em Silgueiros, durante o sábado; mas havia outras opções! 


Partida para a quinta às 9h 30m, para Oliveira de Barreiros, na sub-região de Silgueiros, camioneta fretada pela Câmara Municipal. Chegada com recepção pelo proprietário, o simpático enólogo João Paulo Gouveia, que nos acompanhou ao longo do dia. Simpatia para todos e distribuição de tshirt e boné. Visita guiada e explicada à adega e vamos embora para a vinha antes que fique muito calor.



E o resto da manhã foi a alegre brincadeira de cortar os cachos e mexer nas uvas, de ouvir as explicações sobre as castas e o terroir, de conhecer o grupo, de confraternizar  e comparar saberes e experiências.


Quando já todos se achavam vindimadores experientes chegou a hora de provar os vinhos e os petiscos; ali mesmo, na vinha, abrigados do sol. Os petiscos eram fartos e bons e o vinho branco correu fresco, como é de lei, e o tinto também. 


Da qualidade dos vinhos outros, mais sábios, já disseram e medalharam. Nós limitámo-nos a constatar a excelente qualidade e o grande prazer que nos deu beber, quer o Dão Pedra Cancela Branco Reserva, Malvasia Fina e Encruzado 2015, quer o Dão Pedra Cancela Tinto Reserva 2013. 

Antes das despedidas tratámos de garantir a compra de algumas garrafas destes branco e tinto  que, daqui a algum tempo, irão permitir-nos recordar com prazer este sábado tão bem passado.

Quem sabe para o ano...